Clique no link abaixo das imagens para acessar as outras traduções em português do texto de Kant discutido no curso.
https://www.dropbox.com/s/p8ryr5yxsj72m6g/Ideia%20de%20uma%20hist%C3%B3ria%20universal%20de%20um%20ponto%20de%20vista%20cosmopolit.pdf?dl=0
https://www.dropbox.com/s/rt90rsyjh9d09vq/Ideias%20para%20uma%20hist%C3%B3ria%20universal%20do%20ponto%20de%20vista%20cosmopolit.pdf?dl=0
Blog do curso de extensão 'Leituras Filosóficas' promovido pelo Departamento de Filosofia da UFMT.
quarta-feira, 13 de julho de 2016
sexta-feira, 1 de julho de 2016
NOVA EDIÇÃO: em julho
Contato: pibidfilosofiaufmt@gmail.com
OBSERVAÇÃO: para baixar o texto de Kant, clique na imagem do livro.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Pontos de destaque na “Introdução”
§
2: A história de um assunto está ligada à concepção que se tenha desse assunto.
Sendo assim, a história da filosofia está ligada à concepção de filosofia.
Desse modo se estabelecem critérios de uma história.
§
3: Problemas com as histórias da filosofia – apresentam diferentes
concepções de seu conteúdo e função. Sem um conceito genuíno não se fará
história da filosofia, não haverá compreensão filosófica.
Compreensão
filosófica (especulação/conceito) # Captação do sentido gramatical dos termos
(descrição/semântica)
§
5: Objetivo do texto: definir o objeto da história da filosofia, ou
seja, o que pode ser considerado filosofia em qualquer tempo e espaço.
Peculiaridade
da história da filosofia: o conceito de filosofia é resultado da
investigação histórica da própria filosofia [essa é uma aparente contradição,
pois na perspectiva hegeliana o conhecimento (e sua definição) surge na própria história]
§
6: A “Introdução” foca o conceito de filosofia e seu objeto, não como princípios
arbitrários, mas como princípio que será justificado no decorrer da exposição. A
fixação preliminar dos pressupostos visa desembaraçar a exposição.
Pontos de destaque no “Discurso Inaugural”
§
3: O espírito do mundo volta a se ocupar da ciência, i. e. da filosofia de
maneira livre e racional, após se envolver na realidade física (questões
cotidianas e políticas). Isso sobretudo na Alemanha [contexto histórico do
texto: queda de Napoleão, processo de restauração]
§
4: Alemanha como guardiã da filosofia
§
7: Filosofia – tarefa de contemplação e compreensão do vero, eterno, divino
§
10: “A essência do universo, a princípio oculta e encerrada, não dispõe de
força capaz de resistir à tentativa de quem pretenda conhecê-la; acaba sempre
por se desnudar e patentear a sua riqueza e peculiaridade, para o homem que
dela desfrute”. O homem como espírito é capaz de conhecer a essência do mundo
Síntese da Parte B: Relação da filosofia com as outras partes do que se pode saber
·
A sociedade, forma política, arte,
religião etc e a filosofia não estão em uma relação de mútua influência. São
antes formas distintas de um único espírito do tempo (i.e. de um modo de ser).
“É sempre um
determinado modo de ser, um determinado caráter, que invade todas as diversas
partes e se manifesta tanto nas formas políticas com nas demais formas
culturais, fundindo num todo as várias partes; e estas, por sua vez, não contêm
coisa alguma de heterogêneo à condição fundamental dele, pois que podem
aparecer diversas e acidentais, embora se afigure que muitas delas se
contradizem mutuamente. [...]. Enquanto a filosofia está no espírito do seu
tempo, este é o seu conteúdo determinado; mas, simultaneamente, como saber,
pelo fato de o ter situado em frente de si (como problema), já o ultrapassou;
mas este progresso limita-se à forma, visto que na realidade não possui outro
conteúdo” (p. 418/362[1])
·
Condições externas e históricas
necessárias ao filosofar: ausência das necessidades da vida e apaziguamento das
paixões.
·
A filosofia
surge na cultura quando o espírito alcançou um certo grau de autoconsciência. A
filosofia, fundamento da cultura, é sincrônica à formação particular de um
povo. Ela é “o conceito do espírito na
sua totalidade, a consciência e essência espiritual de todo o conjunto, o
espírito do tempo como espírito presente e que se pensa a si próprio” (p.
418/361, grifo nosso). A filosofia está, simultaneamente, no espírito do seu
tempo (como conteúdo determinado) e o
ultrapassa (como forma) como saber
pelo fato de problematizar, como em frente a si, o próprio espírito do tempo.
·
Filosofia
e conhecimento científico
Semelhança:
o Eu, o pensamento próprio,
contraposto à autoridade [i.e. um certo modo autônomo, objetivo e racional de
lidar com o conhecimento]
Diferença:
a ciência tem por fim objetos finitos e fenômenos; a filosofia, ainda que trate
de coisas finitas, às trata do ponto de vista do infinito.
·
Filosofia
e religião
Semelhança:
o objeto infinito (conteúdos universais, a razão existente em si e por si)
Diferença:
a forma assumida pelo conteúdo. Na
filosofia volta-se ao objeto na forma de consciência pensante, na religião,
como percepção exterior, afetiva, representativa.
“Mas a forma, pela qual
o conteúdo universal em si mesmo e por si mesmo pertence acima de tudo à
filosofia, é a forma do pensamento, que é a forma universal. Pelo contrário, na
religião tal conteúdo é dado por meio da arte, da percepção exterior imediata,
não menos que pela representação e pelo sentimento. O seu valor intrínseco
reside todo no elemento sensível afetivo, que é a presença do espírito no ato
de compreender este conteúdo. [...]. A religião tem, por conseguinte, um
conteúdo comum com a filosofia, só as formas são diversas: importa somente
que a forma do conceito alcance uma perfeição tal que seja capaz de apreender o
conteúdo da religião” (p. 426/370; 434/376-377, grifo nosso)
·
Ciência
e religião são afins da filosofia
mas não cabem numa história da filosofia. Porque:
a) a
ciência, como momento formal
objetivo, visa compreender o finito, não o conteúdo infinito; ainda que seja
pensamento autônomo fundado no Eu.
b) a
religião tem em comum com a filosofia
o conteúdo (o objeto infinito), mas apenas como elemento subjetivo; o
pensamento constitui-se em forma figurativa
Sendo
assim, a filosofia exige a unidade e compenetração dos aspectos formal e de
conteúdo, ou seja, dos momentos objetivo e subjetivo.
·
Portanto:
1) Filosofia
# da ciência, da religião, da filosofia popular (cujo fundamento é a natureza,
o sentimento, e não pensamento), da filosofia encontrada nas religiões (ex:
patrística, escolástica, “filosofias orientais”. Cf. p. 439/381-382)
2) Filosofia
= pensamento concreto, universal, o ser em sua totalidade. O princípio da
filosofia é a apreensão da ideia do absoluto “quando o pensamento
reconhece o ser como essência das coisas, como totalidade absoluta e a essência
imanente do todo” (p. 441/384)
·
A condição inicial para a filosofia
é a consciência da liberdade. Há um nexo entre liberdade
política e liberdade de pensamento. O
indivíduo se reconhece enquanto indivíduo e se coloca diante de algo universal.
Devido esse nexo a filosofia manifesta-se historicamente onde há constituições
livres. Portanto, a filosofia começa só com o mundo grego.
·
A
filosofia separa-se do Oriente. No mundo oriental o
espírito surge mas não como liberdade subjetiva, o sujeito não existe como
pessoa, “[...] tudo é apenas ordem natural, que deixa subsistir junto do mal
mais desprezível a mais elevada nobreza” (p. 444/386). Só o déspota é livre. “A
genuína e própria filosofia começa no Ocidente. Só no Ocidente se ergue a
liberdade da autoconsciência, desaparece a consciência natural e o espírito
desce dentro de si próprio. No esplendor do Oriente desaparece o indivíduo; só
no Ocidente a luz se torna a lâmpada do pensamento que se ilumina a si própria,
criando por si o seu mundo” (p. 444/386-387)
[1] A primeira numeração refere-se à
paginação da do texto de Hegel na coleção Os pensadores do ano 2000, a segunda
numeração refere-se à versão em pdf.
sábado, 31 de maio de 2014
Pontos em destaque na Parte A: Conceito da História da Filosofia
* Pressupostos (p. 394/340[1]):
1) Conceito de Filosofia: “tem a tarefa de captar, pensando e compreendendo, a verdade”, não uma verdade finita e mutável, mas uma verdade absoluta que se expressa na história.
2) História da Filosofia: deve ocupar-se com a própria filosofia, “[...] a história da filosofia [não] foi excogitada arbitrariamente por indivíduos singulares de maneiras diferentes umas das outras, mas há um nexo essencial no movimento do espírito pensante, onde domina a razão”.
1) Conceito de Filosofia: “tem a tarefa de captar, pensando e compreendendo, a verdade”, não uma verdade finita e mutável, mas uma verdade absoluta que se expressa na história.
2) História da Filosofia: deve ocupar-se com a própria filosofia, “[...] a história da filosofia [não] foi excogitada arbitrariamente por indivíduos singulares de maneiras diferentes umas das outras, mas há um nexo essencial no movimento do espírito pensante, onde domina a razão”.
* Definição de filosofia:
“A
filosofia é a ciência objetiva da verdade, é a ciência da sua necessidade: é
conhecer por conceitos, não é opinar nem deduzir uma opinião de outra” (p.
390/336).
Sendo assim:
1) Filosofia (ideia universal, objetiva) # Opinião (representação subjetiva)
2) História da Filosofia # Coleção de “opiniões filosóficas” acompanhada da investigação de como se formaram e se desenvolveram
1) Filosofia (ideia universal, objetiva) # Opinião (representação subjetiva)
2) História da Filosofia # Coleção de “opiniões filosóficas” acompanhada da investigação de como se formaram e se desenvolveram
“Uma história assim
redigida, que não passe de pura enumeração de opiniões, não constitui senão um
objeto de inútil curiosidade ou, quando muito, de investigação erudita, uma vez
que a erudição consiste em saber quantidade de coisas inúteis desprovidas de
interesse intrínseco, a não ser o interesse de serem conhecidas. Defendemos,
por outro lado, que não é destituído de toda utilidade o aplicar-se a conhecer
as opiniões e pensamentos alheios, na medida em que este exercício estimula a
energia da mente, sugere alguma boa ideia, e do choque das várias opiniões faz nascer
uma nova opinião: pois que a ciência consistiria precisamente neste evoluir
duma opinião para outra” (p. 390/336).
* Considera-se a diversidade de filosofias como prova da impossibilidade da verdade e da própria filosofia. Para Hegel, entretanto, esse modo de pensar é abstrato por contrapor de forma simples verdade e erro. Pois:
a) as
diversas filosofias têm algo em comum: são filosofias
b) a
diversidade de filosofias é necessária e essencial à própria filosofia
* A filosofia tem como fim a verdade e a verdade encontra-se na ideia. “[...] a ideia... é o pensamento na sua totalidade e na sua determinação em si e por si. A ideia é a verdade e unicamente a verdade; ora, é essencial à natureza da verdade o desenvolver-se e chegar à compreensão de si própria, e só através do desenvolvimento torna-se aquilo que é” (p. 395/341). A filosofia, assim, deve ser compreendida como o desenvolvimento do concreto. Mas o que é “desenvolvimento” e o que é “concreto”?
Desenvolvimento:
* Definição: o
desenvolvimento se faz na dialética do ser em si (potência, capacidade,
disposição) e ser por si (atualidade, ato). “Todo o conhecimento e cultura, a
ciência e a própria ação não visam a outro escopo senão a exprimir de si o que
é em si, e deste modo a se converter em objeto para si mesmo” (p. 396/342).
Concreto:
* Definição: 1) o concreto é a unidade dos momentos do
desenvolvimento (o ser em si e ser por si); 2) o concreto é o em si, aquilo que começa o desenvolvimento; 3) o concreto é o produto final do
desenvolvimento. Portanto, o concreto é
simples e diverso ao mesmo tempo, e se relaciona aos momentos dialéticos.
“Esta interna contradição, que é precisamente o que provoca o desenvolvimento,
leva as diferenças à existência” (p. 398/343)
* A filosofia não é abstração vazia. Seu conteúdo é abstrato apenas na forma, já que a ideia (seu conteúdo próprio) é essencialmente concreta, pois é a unidade de múltiplas determinações. Para compreender isso é preciso distinguir:
Pensar
do intelecto/entendimento = pensar abstrato = não união de
uma coisa e o seu diferente (próprio da ciência)
Pensar
da razão = pensar concreto = unidade de determinações
distintas (própria da filosofia)
Comentário:
Para Hegel, a divisão/distinção (operação por excelência do intelecto/entendimento)
é algo abstrato, ou se quisermos, artificial, pois a realidade é uma
totalidade. E essa totalidade só pode
ser apreendida por uma atividade unificadora da razão que articule algo e o seu
contrário.
* Conclusões retiradas por Hegel:
1) A
história da filosofia, assim como a filosofia, é sistema em desenvolvimento. A
filosofia representa a necessidade das determinações da ideia. A história da
filosofia mostra esse desenvolvimento da ideia no tempo, i.e., de forma
empírica num dado lugar e sob determinadas condições políticas.
2) A
sucessão dos sistemas de filosofia na história é igual à sucessão lógica das
determinações conceptuais da ideia, ainda que haja diferenças [Sistema e
História se identificam]
3) O
estudo da história da filosofia é estudo da própria filosofia
Observação fundamental: Hegel, ao falar do
desenvolvimento da filosofia, fala do ponto de vista do espírito universal e
pressupõe uma organização racional do mundo. Cf. os tópicos “O desenvolvimento
das várias filosofias no tempo” e “Aplicação das considerações precedentes à
história da filosofia”
[1] A primeira numeração refere-se à
paginação da do texto de Hegel na coleção Os pensadores do ano 2000, a segunda
numeração refere-se à versão em pdf.
Assinar:
Postagens (Atom)


